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" agora sinto necessidade de palavras - e é novo para mim o que escrevo porque minha verdadeira palavra foi até agora intocada. A palavra é a minha quarta dimensão. Escrevo por acrobáticas e áereas piruetas - escrevo por profundamente querer falar. Embora escrever só esteja me dando a grande medida do silêncio.

" Clarice Lispector.




Seria injusto não falar da menina vestida de céu
e de seus temporais.
Pelo caminho de laranjeiras floridas percorre sem pressa alguma
a estrada que à leva ao cenário intempestivo de uma cidade de luzes.
Claroes se abrem em câmera lenta, fotografando o mundo,
fazendo com que ela abra os braços,  teimando em abraçar a terra, 
e resgatar indiferente a melancolia de Munch.
Folhas de outras estações rodopiam ao vento,
caindo ao chão feito promessas de beijos
semeados em terra profunda,
encurtando a distância entre o azul escuro bordado de luzes
e as raízes que a prendem na terra.
A menina do fim da estrada,
não fechou as janelas, nem trancou as portas,
apenas esperou docemente...
"que espetáculo dos deuses  não tivesse fim."
E sentou-se no anfiteatro do céu,
querendo ser carregada na torrente de vento
porque era atraída por ela,
como se uma força invisível a impelisse a caminhar
sobre seus medos e ir ao encontro
do destino das aves que migram buscando verões..
A menina feito temporal e ventania
continuou a tecer
um fio de luz..




- Postado por: *.¨*·. Lú *¨.·* às 00h58 - [ ]

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Não a vida sem morte
como não a morte sem vida
Mas a também uma morte em vida
e a morte em vida,
é exatamente a vida
proibida de ser vivida...

A distância nos permite a saudades
mas nunca o esquecimento...





- Postado por: *.¨*·. Lú *¨.·* às 13h46 - [ ]

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...já tudo se aquietou e de alguma forma jaz rente a esta linha
de vida borbulhante que se ergue incandescente
no limite da minha pegada.
não sei onde estás.
tudo está silencioso.
não sei onde estás.

sabes,
não sei como dizer-te que lá fora a noite tem invadido
todos os campos como se fosse um oceano de pernas para o ar,
soltando matilhas de ondas rasas esfaimadas
sobre todos os recantos vítimas do esquecimento ou da inutilidade.
é certo que tão imensa ferocidade chegará a teus pés
e que mesmo que os encolhas de pouco servirá,
choverá em todos os territórios desafiando as leias da natureza
e até a tua ordem de aquietação dos exércitos de borboletas negras,
em pausa nas tuas mãos fechadas.
fecha os olhos.
bastará que não renuncies aos sonhos.


 





- Postado por: *.¨*·. Mari·*¨.·* às 20h58 - [ ]

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"Quando partiu, levava as mãos no bolso, a cabeça erguida.
Não olhava para trás, porque olhar para trás era uma maneira
de ficar num pedaço qualquer para partir incompleto,
ficando em meio para trás.
Não olhava, pois, e não pois ficava.
Completo. Partiu."

Caio Fernando Abreu





- Postado por: *.¨*·. Mari·*¨.·* às 10h52 - [ ]

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"...agora procuro o desígnio da vida.
Ás vezes penso encontrá-lo num bater de asas,
num murmúrio trazido pelo vento, no piscar de um néon.
Escrevo páginas e páginas a tentar formalizá-lo.
Depois queimo tudo e prossigo a minha busca."

Mão Morta
(In "Tu Disseste")





- Postado por: *.¨*·. Mari·*¨.·* às 16h25 - [ ]

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Hoje..só hoje..
deixe-me mergulhar em tua alma..
E não me diga o que é real ou o que é sonho..
Eu poderei abalar as suas convicções..
Deixe-me Sonhar e esqueça os manuais que foram escritos,
as regras que te foram impostas..
esqueça as possíveis leis que o mundo criou..
Esqueça as explicações.
Abandone as questões,
aceite o  meu universo 
pois é o único onde sobrevivo,
na fragilidade dos cristais que se esfacelam ao chão
procuro uma razão cega para viver.
ouço o vento e o rugir do mar
trazendo as cantigas seculares que me resgatam.. 
não prescindirei da agonia das tempestades..
Viverei entre os limites da razão e da loucura
e sonhar.. me permite viver.





- Postado por: *.¨*·. Mari·*¨.·* às 19h41 - [ ]

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Perdida .. mas é aqui que estou..



 

... e ando em ti perdida...

...onde andas tu agora?

Eu colho as tuas flores no abismo

Não sei oque faço
nem oque digo
Nem mesmo por onde caminho.

... eu ando em ti perdida
no cristal azul de uma nascente
e alvoradas de dor..


E tu? Por onde andas?
... loucura... sufoco de sonhos luzentes...

Será que tu
ainda pensas em mim..??





- Postado por: *.¨*·. Mari·*¨.·* às 11h19 - [ ]

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Reconheça-me...



Reconheça-me.
 
Quando eu surgir frente a teus olhos...
Vinda de oceanos profundos, materializando-me em teus sonhos.
Enxergue em mim os teus sorrisos,
entre os versos que agonizam silenciosos,
imitando o céu em tons de azul.
Estarei infinitamente a tua espera.
 
Reconheça-me.
 
Nas mensagens criptadas que  envio-te.
Nos gritos destes pássaros de fogo rasgando a noite
emudecendo canções desesperadas, versos de amor e dor.
Percebe. Por mais que eu me afaste, deixo ecos no silêncio
que perverte o vazio de tua alma perdida entre as sombras,
que escorrem nas paredes do meu quarto,
desprendendo-se em meus braços.
Eu não partirei, sem que me reconheças no inverso deste espelho
que corta o tempo em fatias,
envolvendo a aurora em murmúrios e imagens do passado.
 
Reconheça-me.
 
Na dor que goteja no telhado alongando-se em raízes tão profundas.
Em meus olhos de planícies que cruzam oceanos
agonizando entre os  náufragos.
 
Partirei deixando meus vestígios em teus sonho.
Deixando-te esta carta.
Partículas do eterno em divisão, com  a leveza do beijo
e das lágrimas, que nos confundem e se tocam.
Sei que ao acordares a encontrará.
Eu estarei junto dela.
Fecho a porta  lentamente e atravesso os escuros corredores da razão.
Sairei sem fazer barulho
Para não te acordar.




- Postado por: *.¨*·. Mari·*¨.·* às 03h02 - [ ]

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